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“Embrace”: Aceitar o corpo

Esta semana descobri, por acaso, o Embrace na Netflix, realizado e escrito por Taryn Brumfitt, uma australiana, mãe de três filhos e fundadora do Body Image Movement (BIM).

Este documentário aborda diversos temas relacionados com a imagem corporal, como lidar com o peso, a flacidez, a celulite, a gravidez e o pós-parto, a idade, as rugas, os cabelos brancos, a diversidade cultural, viver com uma deficiência física ou como recuperar de uma doença, como o cancro da mama. Mas também o quanto a indústria da moda e da publicidade têm vindo a alterar a percepção que as mulheres têm do padrão de beleza ideal.

O Movimento de Imagem Corporal

Tive conhecimento do BIM há cerca de dois anos. A primeira impressão foi de que Taryn era uma senhora meio excêntrica, com um visual um pouco hippie, que improvisava vídeos de dança na sala, tirava fotos aos saltos vestida com as cores do arco íris, participava em eventos menos convencionais, como o “Sydney Skinny” – o maior evento de mergulhadores nus no oceano -, e escrevia artigos como “Oops I pooped my pants!”, isso mesmo… “Ups, fiz cocó nas cuecas”.

E lembro-me de pensar, hum… parece-me que esta senhora o que quer mesmo é chamar a atenção sobre si. Mas estava enganada, pois na realidade achamos que para levar alguém a sério, é preciso que esta tenha uma atitude e aparência séria (sinónimo de formal e conservadora) ou, até mesmo, ter um doutoramento em Psicologia ou outra área qualquer.

Ou seja, uma fotógrafa com três fillhos não é, à partida, uma líder na matéria, certo? Mas é exatamente a melhor pessoa para dar o seu testemunho e levar as pessoas a identificarem-se e a sentirem que não estão sozinhas. Que milhões de mulheres em todo o mundo têm os mesmos receios, problemas e preocupações. E não há nada mais genuíno do que um movimento que nasce da partilha de experiências de outras pessoas, quer sejam homens ou mulheres.

Como Tudo Começou

Esta australiana partilhou no Facebook duas fotos do seu corpo, do antes e depois. Na primeira imagem mostrava o seu corpo magro e atlético, enquanto que na segunda exibia uma imagem nua e alegre, assumindo a sua forma atual. Ao contrário do que acontecia na altura, em que a foto do antes era sempre uma imagem de uma pessoa com mais peso e aspeto deprimido e na segunda aparecia magra e feliz, Taryn mostrou orgulhosamente o seu corpo de mãe e o efeito foi avassalador.

Em poucas horas, Taryn recebeu milhares de comentários e de emails, de pessoas que tinham decidido partilhar a sua experiência. E apareceu em jornais e programas de televisão, em pontos do planeta tão distintos como Paris, Londres, Líbano, Coreia, EUA, Canadá, entre outros, tendo ultrapassado os 100 milhões de visualizações.

E das mensagens que recebeu, Taryn constatou que muitas mulheres sentiam vergonha do seu corpo e necessitavam de ajuda.

“70% das mulheres estão insatisfeitas com o seu corpo”

Mulheres que tinham deixado de comer para serem magras, de forma a sentirem-se socialmente aceites ou amadas pelos seus companheiros. Mulheres que não iam à praia porque tinham vergonha de usar um fato de banho. Mulheres que recusavam ter intimidade com o seu companheiro por acharem o seu corpo repugnante. Mulheres que acreditavam que para serem saudáveis e felizes tinham de ser magras. Mulheres que gastavam fortunas em cirurgias plásticas e tratamentos estéticos para se aproximarem do que consideravam ser “o ideal de beleza” aos olhos dos outros.

Embrace: o Documentário

Ao longo de quase uma hora e meia, acompanhamos uma parte da vida de Taryn e os seus desafios pessoais. Uma mulher que depois de ter tido o seu primeiro filho viu-se confrontada com um “novo corpo”, que não reconhece e tem dificuldade em aceitar. E que, após ser mãe pela terceira vez, decide fazer uma cirurgia plástica, por achar ser a solução mais óbvia e rápida. Mas que um dia ao olhar para a sua filha mais nova pensa: “Mas que raio de mensagem vou passar à minha filha?”, se afinal “Eu quero que ela aceite e adore o seu corpo, tal como ele é”.

Mais tarde, ao treinar e participar num concurso de Bodybuilding, Taryn depara-se com a realidade de que mesmo as mulheres, que têm o chamado “corpo perfeito para biquini”, vivem insatisfeitas com a sua imagem. Ou seja, nunca é suficiente. Nunca nos sentimos suficientemente magras, suficientemente bonitas ou suficientemente sensuais. Em resumo, a maioria busca um ideal de perfeição que não existe.

“45% das mulheres na gama saudável de peso pensam que têm peso a mais”

“Acontece que mesmo a rapariga da capa não tem o aspeto que aparece na revista”, graças à edição de imagem no Photoshop, e, por isso, “Não admira que tantas mulheres se sintam insatisfeitas com o seu corpo, já que tendem a fazer comparações, de forma consciente ou inconsciente.” afirma Mia Freedman ex-editora da Cosmopolitan na Austrália.

Num tom divertido, informal e espontâneo, Taryn passa uma mensagem positiva sobre a imagem corporal, através de uma série de encontros com outras mulheres, de vários países, que partilham a sua experiência e visão.

Mas o melhor será verem o documentário “Embrace” e decidirem se querem aderir ao movimento #IHaveEmbraced.

“Não percam mais um dia da vossa vida em guerra com o vosso corpo. Aceitem-no!”

Que tal aceitarem o corpo que têm, nos bons e nos maus momentos? Embrace it! 😉

Rita Carvalho

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