Blogs do Ano - Nomeado Moda

Ícones de estilo depois dos 60

Se acha que a carreira de modelo é só para quem é muito jovem, então anda um pouco desatenta. E se eu lhe disser que pode tornar-se uma blogger de sucesso aos 60 anos, ser capa de revista aos 70 ou ser convidada como embaixadora de marcas internacionais aos 80? Parece ficção, mas é a realidade destas cinco mulheres, que são uma verdadeira inspiração e representam na perfeição o lema de que “Nunca é tarde demais.”

O que acontece é que vivemos cada vez mais anos (a esperança média de vida é de 80 anos ou mais, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde). Ou seja, trabalhamos até mais tarde e temos uma vida mais ativa, do que as gerações anteriores. Por isso, não é de admirar que depois da reforma, dos filhos saírem de casa, as mulheres tenham mais tempo e disponibilidade financeira para se dedicarem ao que mais gostam (ou ao que nunca tiveram oportunidade de fazer), bem como para se manterem informadas e cuidarem mais de si.

O facto é que a partir de certa idade, a maioria das mulheres já não se identificam com as modelos de 20 anos. Como podem estas ser suficientemente convincentes a falar de rugas, cabelos brancos ou das questões relacionadas com uma idade mais avançada, quando a sua imagem e linguagem corporal revelam exatamente o contrário? Ou como podem estas influenciar as escolhas de moda de uma mulher madura, se o seu corpo e estilo não correspondem minimamente às suas necessidades reais?

Por esse motivo, algumas revistas dedicaram atenção a este tema, como a Allure, que convidou para a sua capa de setembro a atriz Helen Mirren, de 72 anos, lançando o debate sobre o termo “anti-idade”.

E diversas marcas já chegaram à conclusão de que se querem apelar a estas mulheres, com poder de compra e disponibilidade para consumir os seus produtos e serviços, então vão ter de quebrar os padrões estéticos e sociais mais tradicionais e oferecer-lhes algo com as quais estas se revejam. Sobretudo, apostar em mulheres, que fizeram carreira em outras áreas e têm tantas histórias para contar. Além disso, esta também pode ser uma boa forma de atrair a atenção dos consumidores mais jovens, que procuram, muitas vezes, algo diferente, ousado e irreverente. Afinal, dizem que os 60 são os novos 50 e assim por diante, não é verdade?

Um projeto que valoriza o estilo na terceira idade é o Advanced Style, um blog da autoria do fotógrafo Ari Seth Cohen, que já deu origem a um livro e documentário. Esta plataforma promove entrevistas e reportagens com nova-iorquinas, acima dos 60 anos, que são modernas, criativas e cheias de estilo. Pode, ainda, acompanhar o Senior Style Bible, um blog de Dorrie Jacobson, que já ultrapassou os 80 anos, e que promove as mais recentes tendências de moda e beleza para mulheres a partir dos 50 anos.

Lyn Slater, Professora universitária e autora do blog Accidental Icon

Durante a New York Fashion Week, esta professora universitária de 63 anos estava à espera de um amigo, à porta do Lincoln Center, quando os fotógrafos que estavam no local a começaram a fotografar. De repente, os turistas que assistiram a esta cena pensaram que Lyn deveria ser uma personalidade do mundo da moda e também começaram a tirar fotografias. Quando o amigo chegou ao seu encontro, os dois divertiram-se com esta situação e ele disse-lhe: “Oh my gosh, you’re an accidental icon!” (Meu Deus, tu és um ícone acidental!) e Lyn pensou que este seria um excelente nome para criar um blog. E foi assim que tudo começou.

Esta norte-americana criou o blog Accidental Icon, em 2014, e tem uma página no Instagram com mais de 230 mil seguidores. Lyn afirma “Eu comecei o Accidental Icon porque tinha dificuldade em encontrar um blog de moda ou uma revista, que oferecesse uma estética urbana, moderna e intelectual, mas também dirigido a mulheres que vivem o que eu chamo de “vidas interessantes, mas comuns” nas cidades. Mulheres (como eu) que não são famosas ou celebridades, mas que são inteligentes, criativas, vanguardistas, cheias de ideias e, mais importante, sentem-se bem e estão confortáveis ​​com quem são.”

A sua história é tão inspiradora, que foi divulgada na imprensa internacional, em revistas como L’Officiel de Itália, Harper’s Bazaar do Brasil, InStyle da Alemanha, Marie Claire de Espanha ou Vogue do México.

Linda Rodin, Estilista e empresária

Linda Rodin tinha uma boutique de sucesso, nos anos 70, considerada uma das primeiras concept stores no Soho, em Nova Iorque. Antes disso, era estilista e editora de moda na Harper’s Bazaar. No entanto, começou a sua empresa de beleza, a partir da cozinha da sua casa, aos 59 anos. Nessa altura, muitas pessoas criticaram esta sua aposta, considerando-a louca. Linda criou o mítico Rodin Olio Lusso, em 2007, e acredita que “Há beleza na simplicidade”. As modelos e as maquilhadoras experimentaram o seu produto e gostaram tanto, que a promoveram. Rapidamente, a sua marca começou a ser vendida em lojas seletivas e obteve cobertura na imprensa internacional.

Mais tarde, em 2014, a sua empresa foi adquirida pelo grupo Estee Lauder, o que lhe permitiu evoluir para a área de maquilhagem e lançar uma edição limitada de batons. Linda afirma que: “Quando o meu cabelo começou a ficar mais branco – talvez, por volta dos meus 40 anos – comecei a usar batom, porque achei que me dava um aspeto mais vivo.”

Sobre uma das suas assinaturas de marca, o cabelo grisalho, Linda refere que nunca foi um problema, quando começou a ter cabelos brancos aos 35 anos. Acrescenta, ainda, que nunca pintou o cabelo, apesar das pessoas lhe dizerem que se o fizesse iria parecer mais jovem. Ela admite que só se sentiu velha quando chegou aos 60, já que vivemos numa cultura juvenil. Do passado, arrepende-se apenas de não ter usado protetor solar. Fã de jeans e de blusas de gola alta, os seus óculos de massa também fazem parte da sua imagem distinta. Pode acompanhá-la no website da sua marca e na página de Instagram.

Joyce Carpati, Cantora de ópera e modelo

Aos 16 anos, Joyce foi viver para Milão, em Itália, onde estudou canto. Um local que a inspirou, já que apesar de estar a recuperar da segunda guerra mundial, em 1949, as mulheres vestiam-se de uma forma completamente diferente das americanas. Depois de ter cantado na ópera e de ter vivido na Europa, Joyce regressou a Nova Iorque. E o seu estilo único chamou a atenção das pessoas. Foi trabalhar para a Cosmopolitan aos 40 anos, onde esteve durante 27 anos como marketing manager na área de beleza, na qual experimentava os lançamentos de cosmética. E usar protetor solar foi uma das suas apostas no cuidado com a pele.

Joyce defende que “Se algo a incomoda e quer cuidar de si, então invista na resolução do problema.” Para esta norte-americana, a atitude é fundamental, pois é a forma como cada pessoa se sente em relação a si própria, que a faz parecer maravilhosa em qualquer idade. E acrescenta: “Eu não procuro parecer jovem, o que eu quero é parecer fantástica.”

Ainda hoje, a sua beleza faz-se notar, mesmo depois dos 80 anos, e, em 2012, figurou na capa do livro “The Advanced Style Coloring Book” de Ari Seth Cohen, fotógrafo e autor do blogue com o mesmo nome, dedicado ao estilo de vida das mulheres maduras. Participou, ainda, na campanha de óculos de sol de Karen Walker e foi uma das embaixadoras no The Insignia Project de Carolina Herrera. O seu cabelo apanhado com tranças e os acessórios, nomeadamente o longo colar de pérolas e os lenços, são a sua imagem de marca.

Carmen Dell’Orefice, Modelo e atriz

Atualmente com 85 anos, Carmen é a modelo no ativo com a carreira mais longa, de acordo com o Guinness Book. Ela foi capa de várias revistas e integrou diversas campanhas publicitárias e desfiles para Vivienne Westwood, Dior, Jean Paul Gaultier, entre outros. Como atriz também participou em alguns filmes e documentários.

Filha única de um imigrante italiano e de uma húngara, Carmen começou a sua carreira de modelo aos 15 anos, aparecendo nas capas das revistas Vogue e Harper’s Bazaar, inicialmente para ajudar a sustentar os seus pais. Casada e divorciada por três vezes, apesar das suas tentativas para se afastar desta profissão, ela acabava por regressar sempre ao mundo da moda.

Porém, o momento mais dramático foi aos 77 anos, quando ela perdeu todas as suas poupanças, em 2008, vítima da fraude financeira provocada por Bernie Madoff. O que a forçou a ter de regressar novamente à indústria da moda. E na idade madura, Dell’Orefice afirma que: “Tive mais capas de revista nos últimos 25 anos, do que no resto da minha carreira.”

A modelo não esconde que recorre à cirurgia plástica e a intervenções estéticas, quando sente necessidade de fazer alguns ajustes. Porém, Carmen defende que não é possível viver somente de aparência: “É necessário saber manter a harmonia da mente e do corpo.” O seu segredo de beleza é dormir, nadar e saber aceitar a idade. Pode acompanhá-la na sua página de Instagram.

Iris Apfel, Empresária e designer de interiores

Esta ex-designer de interiores e empresária, com 95 anos, é considerada um ícone de estilo. Aliás, foi aos 84 anos, quando o Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque apresentou uma exposição com peças do seu guarda-roupa “Rara Avis: Selection from the Iris Barrel Apfel Collection”, em 2005, e lançou o livro “Rare Bird of Fashion: The Irreverent Iris Apfel”, que Iris se tornou popular, junto do grande público. Ou, como ela própria refere, transformou-se numa “estrela geriátrica.”

Rapidamente, Iris começou a ser convidada para aparecer em capas de revista e editoriais de moda, como a Dazed & Confused, Stylist, S Moda e Salt. O que chamou a atenção de algumas marcas, com as quais realizou parcerias para lançar edições limitadas, como a MAC, Macy’s e Citroën, mesmo depois dos 90 anos.

Licenciada em História de Arte, enquanto designer de interiores, Iris trabalhou com nove presidentes para a Casa Branca e fundou a sua empresa de decoração Old World Weavers, em 1950. Esta atividade levou-a a inúmeras viagens pelo mundo, de forma a encontrar mobiliário e têxteis, que trazia depois para os EUA. Mais tarde, o realizador Albert Maysles imortalizou-a no documentário “Iris”, em 2014.

A sua imagem de marca são os óculos de massa redondos e grandes, bem como a sua coleção de jóias vintage e a arte de saber combinar acessórios de grande dimensão com peças vintage. Iris refere, ainda, a influência da mãe no seu estilo: “A minha mãe ensinou-me que se tiver um único vestido preto e os acessórios certos, posso ter 50 vestidos diferentes.” E defende, ainda, que a Alta Costura deve ter em conta as mulheres mais velhas. “Penso que, se pagamos 15 mil dólares por um vestido, temos direito a um par de mangas.”

Não acham estas histórias verdadeiramente inspiradoras?

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Rita Carvalho

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