As Short Stories de Sandra Nobre

Descubra mais sobre os livros personalizados da Short Stories e a sua autora Sandra Nobre nesta entrevista para o In Styleland. Uma conversa sobre o seu percurso, projetos, viagens e estilo.

Conheci a jornalista Sandra Nobre há alguns anos e sempre me chamou a atenção o seu estilo irreverente e atitude confiante, com um visual muito Annie Lennox, de cabelo curto platinado.

Sempre acompanhei os seus artigos com atenção e é fácil perceber que a Sandra é uma apaixonada pela escrita. Sabe brincar com as palavras e dar-lhes um novo sabor, um outro aroma, uma textura límpida e escorreita, que nos apetece degustar em cada leitura.

Por isso, não me surpreendeu quando este ano lançou o projeto Short Stories e decidiu escrever livros personalizados, dirigidos a qualquer pessoa que deseje ver a sua história publicada, partilhando testemunhos e experiências, mas acima de tudo, aliando o prazer da escrita ao das viagens.

Gostava de ver a sua vida publicada num livro, para si ou para oferecer a alguém especial? Na Short Stories pode ter uma edição exclusiva de um único livro ou uma edição limitada com os exemplares que pretender, escrita pela Sandra Nobre e executada por artesãos.

São iniciativas como estas que nos fazem acreditar que é possível fazer algo diferente e fugir à tentação da massificação. Porque algo que é único é um verdadeiro luxo. E são palavras escritas com sentimento para ler e reler e até, quem sabe, um dia deixar como legado para as novas gerações.

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Sandra Nobre, jornalista e fundadora do projeto Short Stories

Fala-nos um pouco do teu percurso profissional?
Andei pela rádio, televisão, imprensa, por esta ordem. A última foi a relação que perdurou. Integrei a equipa do DNA, do Diário de Notícias, e do jornal SOL. Escrevi numa mão cheia de revistas. Atualmente, sou freelancer e autora do blogue www.somewhere.com.pt, onde junto o prazer da escrita ao das viagens. Este ano lancei as Short Stories, um projecto de livros personalizados.

Como nasceu o projeto Short Stories?
Quis ter um projeto próprio e abri a minha gaveta de ideias, esta era uma das que estava por concretizar. Reuni o meu prazer pela escrita, a paixão pelos livros e papéis num produto premium que pudesse transmitir afetos e chamar a atenção para o que é essencial, combatendo a efemeridade das redes sociais, principal espaço de partilha. É uma forma — um pouco egoísta, confesso — de estar alienada da conjuntura económica atual e do estado de espírito pouco animador que se assiste. Agora vivo entre as histórias de amor, vidas incríveis, viagens fantásticas e o faz-de-conta do universo infantil, que mais se pode pedir?

Que tipo de edições desenvolves na Short Stories? O cliente pode escolher o tipo de capa e de papel?
O cliente é que decide se quer uma edição exclusiva de um único livro ou uma edição limitada com o número de exemplares que pretender. No formato standard das Short Stories trabalho com os papéis da Fedrigoni (o mesmo que marcas de moda internacionais usam nas suas embalagens), respeitando as cores se se trata de uma história de amor (bege), infantil (laranja) ou viagens (bordeaux). As Short Stories são executadas por artesãos na área da encadernação e douramento dos títulos, porque quis envolver tradições que se estão a perder e que considero uma mais-valia para o produto. Mas os livros podem ser personalizados tanto quanto o cliente desejar, sob orçamento.

Que tipo de clientes te procuram para escrever uma história?
Não há um perfil específico, o que os une é a vontade de dizer a outra pessoa o quanto é importante.

Como se processa o desenvolvimento de uma edição com o cliente? Quanto tempo demora, desde o primeiro encontro à entrega do livro?
Não há uma receita. Por regra, tento marcar uma conversa com o cliente para reunirmos os elementos da história — é importante que a pessoa se reveja na história. Quando a geografia dificulta o encontro trocamos e-mails, telefonemas, etc. Normalmente, o livro é um presente para uma data especial e tento corresponder. O ideal é agendar com dois meses de antecedência porque há períodos em que as histórias se sobrepõem.

Quais os valores das edições Short Stories?
A partir de 200 euros.

Quem quiser encomendar um livro Short Stories, como o pode fazer?
Contactar-me por email — [email protected] — ou tm. 96 151 05 88 e seguir-me no Facebook.

Há algum livro Short Stories que te tenha marcado?
Há vidas incríveis e histórias que parecem argumentos de filme que nos fazem acreditar em impossíveis.

Quais as publicações, sites ou blogs que habitualmente acompanhas e que são uma referência para o seu trabalho?
Cada vez sobra menos tempo para outras leituras — é a parte ingrata de ser freelancer e estar envolvida em vários projetos. Mas continuo viciada em revistas de viagens — Siete Leguas, Altair, Lonely Planet, Brown Book… E sigo religiosamente o site http://matadornetwork.com

Enquanto jornalista, qual foi a personalidade que tiveste mais prazer em entrevistar?
Sempre tive o privilégio de escolher as pessoas que quis entrevistar e todos se destacaram por serem excelentes no que fazem. Aprendi com cada uma delas. De alguns guardo frases, sorrisos, confidências. De outros as lágrimas que surgiram por perguntas inesperadas. Recordo os olhos inesquecíveis de Kelly Slater e tomei o seu exemplo de não desistir contra todas as previsões por acharem que já não tinha nada a acrescentar ao surf e por ser dos mais velhos em competição. Continua a ser brilhante e revelou-se um romântico escritor de canções de amor e argumentos de filme. Mas é maior a lista de pessoas que gostaria de entrevistar: António Lobo Antunes, Paul Theroux, Dalai Lama, Susan Miller, Pedro Almodovar…

Devido à tua profissão viajas bastante. Quais são as tuas cidades favoritas e que locais ou dicas gostarias de partilhar?
As cidades: Nova Iorque, Veneza, Xangai, Marraquexe, Mumbai.
Os lugares: Pantanal, qualquer deserto.

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Qual a melhor dica para fazer uma mala de viagem? Tens alguma técnica ou truque para rentabilizar a bagagem?
Estou sempre longe de casa, como em casa. Seja uma viagem de duas semanas ou dois dias. Cabe tudo na minha mala. Todos os espaços são aproveitados milimetricamente, guardo acessórios nos sapatos e tenho sempre amostra dos produtos que uso. E embrulho vestidos e casacos em folhas de seda para não ganharem vincos.

És uma pessoa que aposta na sua imagem. Como surgiu a ideia de usar o cabelo curto e louro platinado e como reagiram as pessoas ao teu novo look?
Não é a primeira vez que uso cabelo curto. Não tenho medo das mudanças, antes pelo contrário. Foi uma forma de entrar num novo ano e assim aconteceu num dia 31 de Dezembro. Tal como a Marylin apaixonei-me pelo look peroxide girl, até ao dia…
Reações: espanto. Ainda há quem continue a surpreender-se.

Que cuidados específicos tens com o teu cabelo e pele?
Os básicos. Cabelo: uso champô de produtos naturais, amaciador e gel. Pele: hidratante, creme de contorno de olhos, despigmentante anti-manchas e protetor solar facial todo o ano.

O que é para ti ter estilo?
É sentirmo-nos bem na nossa pele. As modas fazem sentido quando se tem atitude para as assumir e quando não nos tornam uma pessoa diferente.

Como defines o teu estilo?
Eclético.

Nas viagens que fizeste, quais as mulheres que para ti têm mais estilo?
Não é o estilo que me interessa é a identidade, a diferença: a sensualidade das mulheres árabes escondida debaixo de véus e roupas tradicionais; a tradição das butanesas com as suas kiras (saias compridas) e longos cabelos escuros; a elegância das indianas em saris de cores incríveis…

Quais os erros mais frequentes de estilo, que costumas observar nas mulheres?
Pecarem por excesso de misturas e seguirem modas desajustadas às suas silhuetas. Nem todas têm pernas para shorts ou calças slim…

Quais são as tuas referências de estilo, nacionais ou internacionais?
Linda Evangelista, desde sempre. Tilda Swinton, amor à primeira vista. Duas mulheres camaleónicas.

Quais são as tuas peças de vestuário ou acessórios favoritos? Aquelas que não passas sem elas?
Não saio sem pulseira, anéis e óculos escuros, sinto-me nua. O resto depende do mood do dia. Agora estou viciada em calças saharienne, jumpsuits e jardineiras.

Quais as peças que nunca vão fazer parte do teu armário?
Nunca digo nunca.

O que mais valorizas quando compras peças ou acessórios?
O corte e a qualidade.

Qual foi a tua maior extravagância?
Os meus sapatos Marc Jacobs com o tacão invertido. Tenho algumas peças de designers não as considero extravagâncias, mas investimentos, nunca me deixam ficar mal. E compro-as quase sempre em saldos, a melhor altura para investir.

O que achas da moda em Portugal?
Há valores nacionais seguros, gente talentosa e um saber fazer que importa valorizar. Quase sempre são os estrangeiros a ver isso primeiro em nós e a apostar. As marcas internacionais estão a ganhar terreno perante a apatia dos velhos do Restelo. Falta-nos o espírito de conquistadores e aventureiros que nos levou a correr mundo. Não adianta sermos os melhores se ficarmos fechados em casa.

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Rita Carvalho

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