Slow Fashion: Compre menos e faça durar

“Compre menos, escolha bem e faça durar” esta foi a mensagem de Vivienne Westwood, a famosa designer britânica, em relação à moda fast fashion. “Os consumidores devem valorizar a qualidade e não a quantidade. As pessoas estão a comprar muita roupa, mas em vez de comprar seis itens, compre apenas um de que realmente gosta” afirmou ao jornal The Guardian.

Caso não esteja familiarizada com o conceito, as marcas fast fashion lançam todas as semanas roupas que seguem as principais tendências de moda, replicam as coleções dos grandes criadores e comercializam básicos de moda por valores tão baixos, que é difícil resistir a esta tentação. Por esse motivo, o consumo de vestuário aumentou significativamente: 500% nos últimos 20 anos e cerca de 40% das roupas raramente ou nunca são usadas.

Quem é que não se deixou já encantar por um t-shirt super gira, que ainda por cima só custa 5 euros, ou por umas calças trendy por menos de 20 euros? Uma pechincha, não é verdade? Tão boa, que seria um desperdício não aproveitar esta fantástica oportunidade. E depois, o que dizer daquele casaco lindo, que até parece que nos pisca o olho mal olhamos para ele?

Não vou ser hipócrita e dizer que não compro roupa ou calçado nas marcas fast fashion, pois como qualquer consumidor é muito atrativo poder adquirir peças ao mais baixo preço, que encaixam no orçamento mensal, e aproveito sempre os saldos para investir em artigos de determinadas marcas. Mas não encaro a roupa como algo descartável e procuro complementar com o que já tenho.

Para quem ainda não compreendeu o verdadeiro impacto da indústria fast fashion na sociedade e no meio ambiente, recomendo que vejam o documentário “The True Cost“, disponível na Netflix. E acreditem que será difícil ficarem indiferentes a este fenómeno. A este propósito escrevi recentemente sobre o tema “Fast Fashion: O custo real da moda atual”  para a Link to Leaders, no qual explico com mais detalhe quais são consequências e onde podem consultar mais informação sobre as marcas fast fashion.

O que é a moda sustentável

A moda sustentável é aquela que, em todas as suas etapas, preza pelo respeito ao meio ambiente e à sociedade, valorizando as pessoas envolvidas na produção e incentivando o consumo consciente. Com base nestes princípios, opta por matérias-primas menos poluentes, também produzidas de forma sustentável; busca a redução dos desperdícios e o uso racional de recursos, como a água e a energia elétrica. Além disso, o conceito de sustentabilidade aplicado à moda visa a humanização da produção, sem a exploração da mão de obra e praticando uma remuneração mais justa, bem como o fabrico de peças cujo design e funcionalidade aumentem a sua longevidade.

Em resumo, a questão da sustentabilidade consiste em produzir e consumir de forma menos agressiva para o ecossistema e as comunidades, que dependem da indústria da moda e calçado para sobreviver, mas também em gerar menos lixo para o planeta e facilitar a sua cadeia natural de degradação.

O Movimento Slow Fashion

Criado por Kate Fletcher, consultora e professora de design sustentável do Centre for Sustainable Fashion, em Londres, o conceito foi inspirado no movimento Slow Food. Este incentiva a uma maior consciência dos produtos que consumimos, chamando a atenção para a forma como são produzidos e valorizando a diversidade e a riqueza das nossas tradições. O Slow Fashion é um movimento sustentável, que propõe uma alternativa à produção em massa.

Em termos práticos, defende o desenvolvimento de peças versáteis, produzidas com materiais de qualidade e design intemporal, que possam ser usadas por muitos anos e não passam de moda. No entanto, aprender a consumir a moda de forma sustentável é um caminho individual.

O que pode fazer enquanto consumidor para participar de forma ativa:

# Questionar-se se realmente tem necessidade dos artigos: Preciso mesmo disto? Combina com o que já tenho no armário e com o meu estilo de vida? Em que situações vou usar esta peça?

# Encarar de forma racional o seu guarda-roupa. Identificar as peças em falta e aprender a fazer novas combinações, a partir do que já tem, em vez de estar sempre a comprar

# Consumir de forma inteligente. Sobretudo, se já tiver um armário cheio de roupas e continua a achar que não tem nada para vestir. Este é o primeiro sinal de que não está a fazer compras racionais

# Investir em básicos de moda, versáteis e intemporais, e em peças de qualidade, pois esta é uma boa forma de prolongar a vida da sua roupa e sapatos, bem como de rentabilizar ao máximo o seu guarda-roupa

# Escolher conscientemente as marcas de roupa. Existem projetos que apoiam as produções locais, fabricam roupa com matérias-primas sustentáveis e proporcionam condições de trabalho dignas aos seus trabalhadores

# Preferir peças de roupa feitas com fibras naturais (algodão orgânico, linho, seda e lã) ou com materiais reciclados e tecidos alternativos, como garrafas PET ou fibra de bambu, pois são mais sustentáveis

# Se tem roupa em boas condições, mas já não a usa há mais de dois anos, então pode estar na altura de se despedir dela. Aproveite para fazer um donativo a uma instituição e ajudar quem mais precisa ou até mesmo oferecê-las às suas amigas

# Organizar, por exemplo, uma fashion party com as suas amigas, na qual cada uma pode trazer o que já não usa e trocar por outras peças

# Adquirir roupa em segunda mão ou vender as peças que já não veste, sobretudo se ainda tiveram a etiqueta ou foram usadas com pouca frequência. Assim, tem a oportunidade de ganhar algum dinheiro e de prolongar a longevidade das peças

# Colaborar com as marcas que fazem a recolha de roupa e calçado usado, tendo como destino a reciclagem, como é o caso da H&M e da Levi’s, entregando nas lojas o que já não veste

# A Humana Portugal recolhe roupa e calçado usados, através dos contentores Humana (os pontos de recolha podem ser consultados no website), reduzindo assim o volume de artigos deitados fora. Além disso, vendem roupa em segunda-mão nas suas lojas em Portugal, localizadas em Lisboa e no Porto

# Investir em máquinas de lavar e de secar de maior eficiência, classe A ou B

# Assegurar o cuidado das roupas com um baixo impacto para o meio ambiente. Lavar a roupa a altas temperaturas, usar muito detergente e secar na máquina consome mais energia. Utilize programas de baixa temperatura (30 graus) e aproveite a secagem natural. Selecione os programas ecológicos disponíveis na sua máquina, que apesar de serem mais longos, consomem menos água e lavam a temperaturas mais baixas

# Publicar uma foto nas redes sociais com a etiqueta da sua roupa, fazer tag da marca e colocar a hashtag #whomademyclothes (Quem fez a minha roupa?), bem como escrever mensagens às marcas fast fashion, solicitando um maior compromisso e transparência em todo o processo. Consulte a plataforma Fashion Revolution para mais informação sobre este tema

Vamos contribuir para revolucionar a indústria da moda?
Rita Carvalho

Comentários sobre o post

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.