Estocolmo: Viagem a uma das minhas cidades favoritas

Quando chegamos a Estocolmo sentimos que entramos num daqueles locais mágicos. Constituída por mais de 14 ilhas e rodeada por lagos e canais, aquela que é considerada a “Veneza da Escandinávia” é, sem dúvida, uma das minhas cidades favoritas.

Desde que aqui tinha estado, há cerca de 15 anos, sempre tive vontade de regressar. É incrível como o tempo passa tão rápido, mas as nossas memórias mantém-se tão vivas quando as vivemos de alma e coração. Durante este compasso de espera, acabei por conhecer alguns suecos, que estavam de visita a Lisboa, encantados com a luz, a beleza e a gastronomia que encontram sempre na nossa bela capital. E que, ano após ano, regressam ao nosso país.

Por isso, posso dizer-vos que os escandinavos (pois incluo também os noruegueses) são mais parecidos com os portugueses, do que poderiam parecer à primeira vista. Desenganem-se se acham que são distantes ou frios, pois são calorosos quando passamos a fazer parte do seu círculo de amigos. O que mais os cativa nos portugueses, é o nosso lado hospitaleiro, que os faz sentirem-se sempre em casa, sem a exuberância característica dos espanhóis e dos italianos, com quem têm ainda a dificuldade de comunicar em inglês. Ou seja, para o bem e para o mal, o facto dos portugueses falarem várias línguas e de se adaptarem com facilidade a outras culturas, aproxima-nos mais de quem nos visita.

Aliás, o inglês é a segunda língua dos suecos, pelo que não vão ter dificuldade em comunicar se dominarem este idioma. E, apesar de existiram muitos guias em espanhol e italiano na Suécia, o português não é uma das opções disponíveis nas visitas guiadas aos principais monumentos e roteiros.

Preparação e Chegada a Estocolmo

O melhor será fazerem uma pesquisa online dos voos e do hotel, de forma a avaliarem os melhores preços, condições e localizações. Desta vez, recorri à momondo, uma plataforma gratuita, que compara em tempo real, os preços de voos, hotéis e carros de aluguer, mostrando quais são as melhores ofertas disponíveis. Acabei por optar viajar na TAP, já que tem voos diretos para Estocolmo (a viagem dura quatro horas). E reservei o hotel online, através da Hotéis.com, pois oferece bons descontos em estadias.

O hotel eleito foi o Scandic Continental em Estocolmo, que recomendo devido à sua excelente localização – fica no centro da cidade e muito próximo da estação central de comboios, que faz ligação ao aeroporto – tem um bom pequeno-almoço e um bar com terraço com uma magnífica vista. Existem opções mais baratas, mas esta unidade hoteleira tem uma excelente relação qualidade-preço, já que é nova (foi inaugurada em 2016), é moderna, confortável e fica muito próxima de todos os transportes.

À chegada a Estocolmo, no aeroporto, podem apanhar o comboio de ligação até à estação central no centro da cidade, cuja viagem dura cerca de 20 minutos. A compra deve ser feita online, no site Arlanda Express, e têm um desconto especial se adquirirem logo o bilhete de ida e volta. O valor do bilhete é de SEK 540 (cerca de 56 euros), já que prevalecem as coroas suecas, e podem pagar com cartão de crédito. No comboio só têm depois de mostrar ao revisor o número da reserva e a estação fica a cerca de sete minutos a pé do hotel.

Se quiserem ter uma ideia do valor atual de câmbio para euros, podem consultar aqui na página do Banco de Portugal. Troquem algum dinheiro para andar em Estocolmo, mas muitos locais na cidade apenas aceitam pagamento com cartão (multibanco ou crédito).

Não se esqueçam de que o custo de vida é mais alto na Suécia, por isso preparem-se para os preços mais elevados, cobrados nos restaurantes, transportes e museus. Por exemplo, uma garrafa de água pequena num restaurante pode custar cinco euros, uma garrafa de vinho custa no mínimo 50 euros e um prato principal entre 18 e 30 euros, se quiserem ter uma ideia.

Eu comprei o Stockholm Pass para três dias, já que inclui o acesso aos transportes (metro, autocarro e barco – Free Hop On Hop Off Bus and Boat Tours) e à maior parte das atrações turísticas, pelo que compensa se tiverem interesse em visitar os locais mais emblemáticos da cidade. O valor por pessoa foi de SEK 995.00 (cerca de 105 euros), mas podem consultar aqui os vários preços, de acordo com os dias de viagem.

Outro aspeto importante a ter em conta, é consultar o tempo durante a viagem, já que mesmo no verão podem apanhar dias mais frescos e com chuva. Por isso, vão preparados com um impermeável e um guarda-chuva, se necessário. Além do clima, o melhor do verão são as horas de sol, já que podem ter luz do dia até às 23h. No inverno, não se esqueçam de que vão ter de enfrentar temperaturas negativas e que têm de ir muito bem agasalhados.

O que não podem perder em Estocolmo

Agora que já vos contagiei com o meu entusiasmo pela bela capital sueca, está na altura de sugerir o que não podem mesmo perder durante a vossa estadia. Recomendo passarem pelo menos três ou quatro dias na cidade, de forma a aproveitarem para fazer um passeio de barco e visitarem as principais atrações turísticas. Antes da viagem, consultem também o site oficial Visit Stockolm e a Time Out.

Abba The Museum

Uma viagem pela carreira da mais famosa banda sueca, que também conquistou os portugueses nos anos 70 e 80 (eu tinha um álbum dos “The Greatest Hits”, que ouvi até à exaustão no meu gira-discos portátil). Mesmo que achem uma pirosada, é sempre bom relembrar os maiores momentos e ficar a conhecer algumas curiosidades da banda. Aqui encontram peças de guarda roupa, cenários, álbuns, fotografias e um palco onde podem atuar ao lado dos ABBA. O único problema é depois passarem o dia a cantar êxitos, como “Dancing Queen” ou “Mamma Mia.” Preço por pessoa: SEK 250 (não incluído no Stockhlom Pass).

Fotografiska

Se gostam de exibições fotográficas, então não podem perder uma visita até ao Fotografiska, o Museu de Fotografia. Embora seja mais afastado do centro da cidade, podem ir de barco e aproveitar para passear no rio. Como o espaço fecha mais tarde, às 23h, podem deixar esta atividade para o final do dia e jantar no restaurante, que fica no topo e que tem uma vista absolutamente fantástica. Mesmo que não fiquem para o jantar vão até ao café neste piso. E o melhor será reservarem mesa, pois este local é muito concorrido e podem ter de esperar uma hora até chegar à vossa vez. Além das exposições fotográficas, a loja do museu tem artigos de design e de fotografia muito giros (para variar, eu perdi a cabeça com os posters, que podem ver aqui).

Vasamuseet

O Museu Vasa é um local de passagem obrigatória, afinal este é o único navio do mundo intacto, datado do século XVII. Apesar da sua história ser um pouco caricata, já que a real embarcação de guerra naufragou em 1628, logo após os 100 metros da sua partida do porto, nunca chegando sequer a sair de Estocolmo, é impressionante ver esta obra ao vivo. O navio foi resgatado 333 anos mais tarde e, atualmente, este é o museu mais visitado na Escandinávia. Para quem tem filhos, esta atividade é uma boa experiência pedagógica, sobretudo para quem gosta de ver histórias com piratas.

Moderna Museet

Este museu apresenta exposições de arte moderna, mas também tem um restaurante e um bar com uma vista fantástica sobre Djurgården e Strandvägen, onde ficam localizados o Museu Vasa e o parque de diversões Gröna Lund, pelo que vale a pena fazerem uma pausa para almoço ou lanche neste magnífico espaço. Aproveitem para provar os famosos bolos de canela suecos, os Kanelbulle, que são ótimos, e terem um momento Fika (fazer uma pausa para tomar café e comer um bolo). Eu optei pelo acesso por barco, já que o museu fica situado na ilha de Skeppsholme, que faz parte do circuito do Stockhlom Pass.

Skansen

Desta vez não regressei a este local, mas foi uma agradável surpresa quando o visitei na primeira vez que estive em Estocolmo. Este é o primeiro museu do mundo ao ar livre, inaugurado em 1891, e ilustra a história da Suécia, com as suas quintas e casas senhoriais. Aqui vão encontrar artesãos a trabalhar, bem como ver como as pessoas viviam e quais eram os costumes de cada época, já que os figurantes estão vestidos a rigor. É, sem dúvida, um excelente programa para fazer em família, já que podem ainda passear pelo parque e ver os animais.

Palácio Real ou Kungliga Slottet 

Situado em Gamla Stan, no centro da cidade, o Palácio Real é um símbolo da cidade, embora não seja a residência da família real sueca. Com 608 quartos, o palácio serve de cenário para as audiências com os dignitários e as cerimónias oficiais, pelo que pode ser interessante verem as suas majestosas salas, bem como as condecorações e o guarda roupa. Aqui vão também encontrar referências a Portugal, através de quadros e brasões expostos. Se tiverem interesse podem assistir, ainda, ao render da guarda no seu exterior.

Gamla Stan

Esta é a parte mais antiga da cidade, com ruas estreitas e edifícios históricos, bem como pequenas lojas, cafés e restaurantes. Foi nesta ilha, que nasceu a capital em 1252. Eu diria que é o equivalente ao nosso Bairro Alto, em Lisboa, embora esteja melhor preservada e limpa. Apesar de algumas empresas ainda terem aqui os seus escritórios, Gamla Stan é essencialmente frequentada por turistas. Mas vale a pena passarem algumas horas a percorrer as suas ruas e visitar a Catedral de Estocolmo, o Museu Nobel e o Palácio Real.

Palácio de Drottningholm

Situado a 10 km de Estocolmo, o Palácio de Drottningholm faz parte do património cultural da Unesco, servindo de residência privada da família real. O seu acesso é feito por barco, numa viagem que dura cerca de 50 minutos. O passeio é agradável e uma boa forma de ficarem a conhecer os arredores de Estocolmo, passando pela floresta e pelas ilhas. O único senão é que têm de pré-reservar os bilhetes. Ou seja, mesmo que tenham o Stockhlom Pass têm de solicitar o bilhete antes de embarcar. Caso exista uma longa fila de turistas para entrar, preparem-se para terem de disputar um lugar sentado com vista. Os barcos partem de hora a hora, pelo que o melhor será consultarem os horários, já que o último barco de regresso é às 17h. Além do palácio, podem ainda visitar os jardins barrocos e rococós. Um almoço ou lanche no restaurante do jardim também é muito agradável.

Stadshuset

A câmara municipal de Estocolmo, ou Stadshuset, ficou famosa por acolher o Prémio Nobel, que se realiza anualmente no Salão Azul. Este magnífico edifício de 1923 é uma das principais atrações, graças ao seu design interior, sobretudo o Salão Dourado. Esta majestosa sala reúne 19 milhões de fragmentos de folha dourada e uma gravura da Rainha do Lago Malaren. As visitas guiadas em inglês realizam-se a cada 30 minutos. Bilhete: 110 SEK (não incluído no Stockhlom Pass).

Hop On Hop Off Bus and Boat Tours

Uma boa forma de aproveitarem para conhecer a cidade e, em simultâneo, descansarem um pouco os pés é passearem nos Hop On Hop Off Bus Tours. O autocarro passa pelos principais pontos turísticos da capital e proporciona uma visão geral dos diferentes bairros e parques da cidade. Além disso, podem escolher, ainda, a opção de fazer o passeio por barco, com o Hop On Hop Off boat, de forma a viajarem pelos lagos e canais e terem uma outra perspetiva das ilhas de Estocolmo. Assim, podem descansar e passear ao mesmo tempo. O bilhete de 24h (disponível de 1 a 5 dias) está incluído no Stockhlom Pass, pelo que podem entrar e sair sempre que desejarem.

Shopping 

Tão famosa como o Ikea é a marca sueca H&M, que encontram em lojas por toda a cidade. Um bom local para ir às compras ou simplesmente para conhecerem os principais designers escandinavos é o NK, o Nordiska Kompaniet, em Norrmalm. Um grande armazém com vários pisos, inaugurado em 1915, com marcas de renome, como Diane von Furstenberg, DKNY, Helmut Lang, Hugo Boss, Juicy Couture e MaxMara. Aqui encontram marcas de vestuário escandinavas, como Acne Studios, Marlene Birger, Filippa K, Dagmar e Nathalie Schuterman. Próximo do NK fica o MOOD Gallerian, um espaço de galerias mais pequeno, tipo indoor market, muito agradável, no qual encontram uma loja de relógios da marca sueca Daniel Wellington. 

Se pretenderem passear pela avenida onde estão as grandes marcas de luxo, como Louis Vuitton, Gucci, Chanel e Prada, vão até Östermalm e percorram a Biblioteksgatan, na qual também encontram lojas da H&M, Filippa K e &Other Stories, entre muitas outras. Se gostam de lojas vintage ou procuram artigos de artesanato e souvenirs, então vão até Gamla Stan, a zona mais antiga da cidade.

A noite em Estocolmo

Não investiguei muito sobre a vida noturna em Estocolmo, mas fui até um dos bares da moda: o Hallwylska Museet, um bar-restaurante que fica localizado no pátio deste museu e que está aberto somente durante o verão. Nesta zona da cidade, encontram muitos clubes privados e bares frequentados pelos locais. No entanto, todos os espaços têm um porteiro, que decide se têm o “look&feel” para entrar e acreditem que são muito seletivos. Um bom conselho é não irem de t-shirt, jeans e ténis se quiserem entrar nos clubes noturnos, pois o mais provável é ficarem à porta se forem assim vestidos. À noite, predomina o dress code casual chic. O que quer dizer que os homens vestem um blazer, camisa, jeans e sapatos e as mulheres vão de vestido ou usam um conjunto com um blazer e sapatos de salto alto. Uma boa sugestão é irem até ao bar do terraço do hotel, o The Capital, se ficarem alojados no Scandic Continental, que está aberto até às 2h00.

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Fotos: www.visitstockholm.com

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Rita Carvalho

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